Colocámos várias perguntas aos nossos seguidores no Instagram, a propósito do tema discutido no episódio anterior que teve como mote: “A vida assusta ou estimula as pessoas a terem filhos?” Marta Crawford destaca aqui algumas dessas questões e comenta as respostas que nos enviaram

Legenda: Respostas masculinas — vermelho |  Respostas femininas — preto

— Agora, aos 36. Ainda não tive e tão cedo não penso ter. Diria 40.
— 28 e tive aos 32.
— Tenho 32 e não tenho filhos s. Nunca pensei muito a sério sobre isso.
— Desejei ter filhos aos 27. Passados uns meses já cá estava a minha filha
— Tive filhos aos 19, 22 e 26.
— Não queria ser mãe, mas comecei a sonhar com uma menina de cabelo ondulado, e fui mãe aos 36.
— Aos 23 e tive aos 25.
— Aos 21 e tive aos 35.
— Aos 32 e tive aos 33.
— Aos 27 e tive aos 28.
— Não tive o instinto maternal ate aos meus 35 anos Só quando pari foi maravilhoso ver o ser.
— Tive aos 28, não planeado.
— Nunca desejei, tive aos 32.
— Desejei aos 26, tive aos 34

Nas respostas exclusivamente femininas, a idade para terem filhos subiu uma década em relação aquilo que acontecia nas gerações anteriores, com as devidas exceções. Mesmo que o relógio biológico comece a dar sinais a partir de metade da segunda década de vida, a concretização da maternidade acabou por ocorrer depois dos trinta.

— Não, não é de todo um objetivo. Será uma consequência. Ser mãe representa um amor maior.
— Não. Ser mãe   significa ser inteiramente responsável por outro ser humano durante mais ou menos 20 anos.
— Não significa viver em função do outro e deixar de ser prioridade na sua vida mesmo que se queira.
— Não, ser mãe significa cuidar de uma criança e acompanhar uma criança em todas as suas vertentes.
— Não é o meu maior objetivo. Tenho tanto ao lado. Não acrescenta valor à minha vida.
— Não era o meu objetivo de vida mas vivi completamente dedicada a eles. Significa amor.
— Não, ser mãe é uma responsabilidade e um amor incondicional.
— Não. Amar.
— O meu maior objetivo não é ser mãe. Ser mãe significa cuidar.
— Não Faz parte porque aconteceu, e significa amor incondicional partilha e cedência.
— Nunca tive o sentido da maternidade. Ser mãe? Amor infinito.
— Penso que ter filhos deva ser um projeto a dois. Como casal. As crianças merecem.
— Parentalidade enquanto gay deve ser um desgaste gigante. 
— Não. Ser pai é uma grande responsabilidade maior só que a maior parte das pessoas acha.

 

Diria que as respostas a esta questão são especialmente interessantes. Todas as respostas femininas consideram que o papel da  maternidade não é ou foi, o seu maior objetivo de vida enquanto mulheres, ao contrário daquilo que provavelmente seriam as respostas das suas mães e avós. As respostas masculinas relativamente à mesma questão, no que diz respeito a ser pai, só teve duas respostas. Nenhuma delas elege a paternidade com um objetivo de vida.

 

— Deixar de ter tempo para mim.
— Perda de liberdade pré-filhos e a preocupação constante.
— A perda da nossa individualidade como pessoa e a dependência de um pequeno ser.
— Responsabilidade e perda de liberdade.
— Achar-me incapaz, o meu corpo sofrer demasiadas mudanças. As dores. Perder apetite sexual.
— As responsabilidades.
— Não ser capaz, não estar a altura.
— Tudo.

 
Nesta questão as respostas exclusivamente femininas dividiram-se entre aquelas que receiam a falta de liberdade ou falta de tempo pessoal, e as que remetem para o receito de não serem capazes ou de não estarem à altura para esse papel ou responsabilidade.

— Sou mãe e sinto pressão social, não em mim, mas nos outros que ainda não o são. — Não sei.
 — Quero ser mas apesar de saber que ainda tenho tempo, por ter uma relação longa pressionam-nos.
 — Só pressão para não ser e não sei se quero.
 — Sou há 7 anos. Mas nunca deixei ninguém fazer pressão, tenho fama de ter mau feitio por isso pus em prática para ninguém me chatear a cabeça. A decisão foi minha e do meu marido. Pronto.
— Sim muita. Mas optei por tirar 2 curso superior. Quero ser, mas primeiro estão os sonhos profissionais.
— Não tenho filhos, por vezes de fato a família pressiona, a maternidade é um apelo, mas a dois.
— Imensa pressão para ser, mas não quero.
— Alguma, quero mas não já.
— Sim
— Sim muito e ate fui marginalizada no meu trabalho por isso. Só os meus pais compreendiam.
— Não quero
— Tenho muita pressão da família do meu marido e um pouco da minha. Não estou segura de querer.
— E querer ter filhos e a pressão social dizer para não ter. A minha mãe dizia: chega um. Tive três.
— Sim e não

 

Em todas as respostas menos numa, a pressão social está presente como um fator sentido pelas mulheres de forma direta ou indireta. Curiosamente, na única resposta masculina,o tipo de pressão referida é no sentido contrário, ou seja, para não ter filhos. Associada à pressão social, algumas respostas ainda parecem demonstrar que existem dúvidas quanto à vontade de ser mãe, ao momento certo para o ser ou à oportunidade para que se concretize num projeto a dois. Digamos que a constituição de uma família com um ou mais filhos deixou de ser a principal condição de realização. A pressão social continua a existir, mas os desafios de vida atuais, financeiros, profissionais, têm sido tão marcantes na vida de homens e mulheres que os desejos e as vontades têm vindo a alterar- se. O ciclo da vida dos casais ao longo das últimas décadas, tem vindo lentamente a transformar-se. Para muitas pessoas, deixou de fazer sentido o conceito de família tradicional nos moldes e timings dos seus pais e avós.
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