Fizemos várias perguntas aos nossos seguidores no Instagram a propósito do tema discutido no episódio anterior que teve como mote: “Porque é que o sexo incomoda tanto e é tão calado?” Marta Crawford destaca aqui no seu comentário algumas questões e respostas que nos enviaram.

Legenda: H — homemM — mulher

H —— A falta de maturidade para falar de fetiches que nem são hardcore e a descriminação.
H —— O falso pudor de muitos, e o verdadeiro por ideologia
H —— O preconceito
M —— Quando não assumem a curiosidade sobre o tema
M —— O pudor das pessoas
M —— A preocupação com o meu orgasmo
M —— As ideias pré-concebidas,
M —— O falso pudor que uma mulher deve ter
M —— Machismo
M —— Termos agressivos
M —— Dizer que sexo entre duas mulheres n existe ou n é valido
M —— O desrespeito por alguém com quem já fizeram sexo 

Nesta questão tivemos respostas femininas e masculinas e bastante diferentes entre si. No entanto, a palavra pudor surgiu várias vezes como algo negativo e que traz incómodo para a vivência sexualidade.

M —— Sociedade
H —— Primeiro as regras sociais, segundo falta de companhia — da companheira.
M —— A contínua mudança de parceiro, preferia que fosse sempre o mesmo
M —— O stress
M —— Não saber se há certas atitudes, vontades que incomodam o meu marido…nunca lhe falei disso

Relativamente a estas questões, as respostas podem-se agrupar em dois grupos: as que dizem respeito a fatores exteriores como o impacto da sociedade, as regras sociais ou o stress. E as que dizem respeito ao/à parceiro/a. No que diz respeito aos/as parceiros/as, a questão está principalmente dirigida à comunicação, mas também, ao conhecimento do outro. É difícil viver-se livremente a sexualidade quando não se conhece bem a outra pessoa, ou quando não se consegue comunicar intimamente e partilhar preferências e gostos.  Fica sempre um hiato difícil de ultrapassar que acaba por impedir que se viva a sexualidade de forma plena.

M —— Como se fosse pecado a sexualidade – não afetou a minha sexualidade mas afetou a minha relação com a família, pois não concordavam com sexo casual (feminino) e criticavam-me por serem mais novos (até 20 anos)
M —— Não, nada mesmo
M —— A família alargada completamente machista e preconceituosa
M —— Foi uma educação para a liberdade. Tive sorte mas acho que faço parte da minoria
M —— Sim. E a falta de partilha do tema levaram a ver a sexualidade como algo que se esconde e reprime

A maior parte das respostas remete para o impacto negativo que as atitudes da família tiveram na vivência da sua sexualidade. Felizmente nem todas as pessoas tiveram uma experiência educacional negativa. A maior parte das respostas, refere uma educação negativa, machista, preconceituosa, repressora. Muitos adultos têm dificuldades sexuais e relacionais em adultos (ou jovens adultos), porque durante o seu desenvolvimento psicossexual foram sujeitos a uma educação sexual conservadora, que perpetuava preconceitos e que transmitia uma ideia de que a sexualidade não era uma coisa bonita e importante para a vida. Todos somos filhos e netos de alguém, e crescemos a achar que aquilo que pais e avós nos dizem é regra e certo, mas o que se verifica é que nem todas essas heranças são benéficas para uma formação sexual positiva.

H —— Reprimido e tenso. Mas a verdade estraga muitos climas/ambientes
M —— Pecadora
M —— Não
M —— Faz-me sentir mentirosa. Gostaria de ser transparente.
M —— Sim.. culpada
M —— A nossa vida pessoal prévia, ao relacionamento atual, tem o direito de ser preservada.

Quando não se pode comunicar de forma positiva e com verdade ao/à nosso/a parceiro/a, acabamos por ter de assumir um papel, que não representa o nosso verdadeiro “eu”. Às vezes é por opção que se omite, talvez porque se considera que a outra pessoa pode não aceitar/ compreender a verdade. Outras vezes, porque já se foi honesto no passado e a reação foi negativa. Não precisamos de contar tudo, mas seria muito interessante que tudo aquilo que partilhamos com o outro, fosse aceite, compreendido e não tivesse impacto na dinâmica relacional. Isso seria o ideal, mas nem sempre é possível. 
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