A vida tal como está assusta ou estimula as pessoas a terem filhos? E como olha a sociedade para quem não deseja tê-los? —— A maioria dos casais continua a desejar ter filhos ou a crise, a pandemia, o teletrabalho, o medo do vírus anda a fazer com que cada vez mais se adie essa vontade? Os dados apontam para uma cada vez menor vontade em tê-los. Senão veja-se: Cerca de 85.500 bebés nasceram em Portugal em 2020, o valor mais baixo desde 2015, ano em que foram realizados 85.056 “testes do pezinho”, segundo dados divulgados em janeiro pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge. E quando um dos elementos do casal quer, e o outro não quer? Ou nenhum dos dois quer, mas a sociedade pressiona? Este é o ponto de partida de mais uma conversa entre o jornalista Bernardo Mendonça e a psicoterapeuta e sexóloga Marta Crawford

Como olha a sociedade para os casais que afirmam não querer ter filhos? A doutoranda em ciências da comunicação Irina Rosa, de 38 anos, assume que não quer ser mãe. E afirma esse seu direito, liberdade, que tantas vezes é olhada com desconfiança pelos outros. Mas há casos em que é o contrário, em que não se espera dessas pessoas que sejam pais ou mães. É o que nos conta Diana Santos, 36 anos, psicóloga, que tem uma deficiência motora, mas que deseja muito ser mãe apesar da sociedade não esperar isso de si…

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85.500

Número de bebés que nasceram em Portugal em 2020, o valor mais baixo desde 2015, ano em que foram realizados 85.056 “testes do pezinho”, de acordo com dados divulgados em janeiro pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge. Lisboa foi a cidade que rastreou mais recém-nascidos e Bragança o distrito com o menor número de nascimentos.

Fonte: Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Kalaf

“Foda-se, sou pai!”

Naquele desabafo, senti que queria dar-se a conhecer sem reservas, e explicar-me a mim, seu filho e ainda um pingo de pessoa nas suas mãos, como funcionava o mundo, mesmo quando ele próprio procurava ainda respostas simples que não fizessem a sua voz quebrar-se quando me disse.

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Fizemos várias perguntas às pessoas que nos seguem no Instagram a propósito do tema discutido no episódio anterior que teve como mote: “Porque é que o sexo incomoda tanto e é tão calado?” Marta Crawford destaca aqui no seu comentário algumas questões e respostas que nos enviaram.

ENTREVISTA

Rita Blanco

Tenho tantas coisas para amar, neste momento. Por exemplo, o meu trabalho, projetos diferentes, o estar mais ligada à natureza e à vida. À ideia de trabalhar menos horas, quero uma coisa menos demente. Para mim são outras formas de amar.

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AS PARTES PERTURBADORAS

Cartas para a minha filha

Cláudia Lucas Chéu

04.04.2021

Vais perceber, quando fores crescida, que estas perguntas são muitos difíceis para os progenitores. Ficamos mesmo sem saber como nos desenrascar. Há um limite entre dar respostas informativas e razoáveis e dizer exactamente aquilo em que estamos a pensar.

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PARENTALIDADE

Nos países em que a família é mais valorizada, as pessoas mostram mais desejo e intenção de exercer a parentalidade e a preocupação com a possibilidade de não ter filhos. Este é o resultado de um estudo publicado em 2021 que comparou os comportamentos de israelitas, portugueses e britânicos.
Fonte: Shenkman, G., Gato, J., Tasker, F., Erez, C., & Leal, D. (2021). Deciding to parent or remain childfree: Comparing sexual minority and heterosexual childless adults from Israel, Portugal, and the United Kingdom. Journal of Family Psychology. Advance online publication.

Para as mulheres o relógio biológico está associado ao facto de se perder a fertilidade com a menopausa. Já o homem, pode engravidar uma mulher até muito mais tarde

Marta Crawford

O caso da jovem princesa de HabsBurgo, Maria Teresa, arquiduquesa de Áustria, que não conseguia engravidar após o seu recente casamento e por essa razão o conselho do seu médico ao marido foi: “Penso que a vulva de sua mais Sagrada Majestade deveria ter sido titilada antes da relação.“ Dizem os historiadores que funcionou, pois Maria Teresa acabou por ter mais de uma dúzia de filhos.

Fonte: A história da V, Catherine Blackledge, lua de papel.

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Aldina Duarte

A Mãe

Sinto o frio macio da tua mão, minha Mãe de seda breve. Mãos de anéis a apertar os filhos contra o peito. Era como um espelho onde se fosse olhar. Ela velava perto do filho que dormia, e cândida sorria ao lírio entreaberto.

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INFERTILIDADE

Mulheres com diagnóstico de infertilidade tendem a evitar pensamentos, emoções e situações associadas à gravidez e à parentalidade para evitar o sofrimento. Uma estratégia que pode agravar o seu desconforto e mal-estar.

Fonte: Ana Galhardo, Joana Alves, Mariana Moura-Ramos & Marina Cunha (2019): Infertility-related stress and depressive symptoms – the role of experiential avoidance: a cross-sectional study, Journal of Reproductive and Infant Psychology,

Se o casal está à procura de uma situação ideal nunca vai ter filhos.

Bernardo Mendonça

O manuscrito medieval ‘Os Segredos das Mulheres” dava conselhos aos homens para que as suas mulheres engravidassem: “Depois do meio da noite ou antes do raiar do dia, o homem deve começar a excitar a mulher para o coito. Deve falar-lhe de maneira provocante, beijar e abraçá-la, e esfregar as suas partes inferiores com os dedos. Tudo isso deve ser feito para excitar o apetite da mulher pelo coito, de forma a que as sementes do homem e da mulher escorram do útero ao mesmo tempo “. E ainda de acordo com esse conselheiro anónimo: “Quando a mulher começar a balbuciar, o homem deverá estar em erecção e penetrá-la.” Por fim: “Se o homem sentir como se o seu pénis fosse puxado para dentro da vulva e sugado, isso é sinal de concessão.”

Fonte: A História da V, Catherine Blackledge, Lua de Papel.

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Rute Agulhas

Amor é bossa nova, sexo é carnaval

Os jogos eróticos tornam o sexo mais divertido e estimulam a descoberta conjunta do prazer. Facilitam ainda um maior conhecimento do outro, a desinibição e a descoberta de novas sensações. Experimentar coisas novas reforça a intimidade do casal. Fica aqui o desafio.

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Independentemente de serem pais, os dois continuam a ser casal e vão ter de alimentar esse sistema conjugal. Não podem estar sempre em modo família, têm de poder namorar. E para isso há que encontrar os ritmos e espaços para cada coisa.

Marta Crawford

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Joana Folgado

Todas à volta engravidam… menos eu!

O que não se sabe é que esse ato inato, supostamente simples de gerar vida, é afinal um autêntico milagre da natureza. Em casais saudáveis e no pico da sua fertilidade, a probabilidade de engravidar é só de 25% em cada ciclo menstrual. Mas isto poucos sabem…

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O menu da semana é mais uma vez para levantar a cabeça e inquietar o espírito. Servimos o livro biográfico “Filho da Mãe”, de Hugo Gonçalves; “A Axila de Egon Schiele” que reúne a poesia de André Tecedeiro; o guia prático “SOS Casais” e a série da Netflix “Vida Privada”. Bom apetite e boa Páscoa!

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DESTA VEZ SUGERIMOS QUE (RE)VEJA O VÍDEO DE ENCERRAMENTO DA EXPOSIÇÃO “QUEL AMOUR!?”, no museu coleção berardo, QUE DURANTE MESES PROMOVEU UMA REFLEXÃO SOBRE O TEMA MAIS CENTRAL, E TALVEZ MAIS COMPLEXO, DA VIDA DE TODAS AS PESSOAS: O AMOR. PARA ABORDAR A RELAÇÃO DA ARTE COM O AMOR, FORAM CONVIDADOS A PSICOTERAPEUTA E SEXÓLOGA MARTA CRAWFORD E O PSIQUIATRA JOSÉ GAMEIRO — QUE NAS SUAS VIDAS PROFISSIONAIS ESCUTAM SOBRE MUITOS AMORES E DESAMORES — ASSIM COMO A DIRETORA ARTÍSTICA DO MUSEU, RITA LOUGARES, E O CURADOR DA EXPOSIÇÃO ÉRIC CORNE, QUE PROVOCARAM NO PÚBLICO MUITOS DIÁLOGOS SOBRE O AMOR. EM TEMPOS DE MAIOR ACESSO À CULTURA E À INFORMAÇÃO, SERÁ QUE AINDA HÁ MUITOS TABUS NO AMOR? ESTA CONVERSA TEVE A MODERAÇÃO DE FABRÍCIA VALENTE.

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