Porque é que o sexo incomoda tanto e é tão calado? Como desaprender a culpa, a vergonha e os preconceitos na sexualidade? —— Ninguém está a salvo. A sociedade ainda limita e penaliza as pessoas na forma como vivem e encaram a sexualidade. A maioria age condicionada por expectativas e preconceitos sexuais e de género por parte da família, colegas, amigos. E não só. É o que se lê nas revistas, nos jornais, o que aparece na televisão e nos filmes, o que é publicado nas redes sociais, o que a Igreja defende, mais as imagens irreais da pornografia que contribuem para reforçar os mitos sexuais e padrões de género.“Chegam-me ao consultório muitas mulheres jovens a aceitarem estar na cama com os seus parceiros ou parceiras sem terem prazer. Por outro lado, é ainda suposto um homem estar sempre disponível sexualmente. E existe uma pressão sobre a sua orientação, disponibilidade e voracidade sexual” afirma a psicoterapeuta e sexóloga Marta Crawford. Está lançado o mote desta semana para mais uma conversa entre o jornalista Bernardo Mendonça e Marta Crawford

O que se espera das mulheres e dos homens no campo das relações e da sexualidade? Irina Rosa, de 38 anos, doutoranda em ciências da comunicação, a estudar violência de género e estereótipos nos jovens adolescentes, fala de si e desconstrói aqui alguns dos estereótipos de género dentro e fora da cama. Sérgio Condeço e Marco Gonçalves são um casal há 18 anos, ambos foram antes casados com mulheres, e aqui desmistificam o que é uma relação de longo termos entre duas pessoas do mesmo sexo e revelam alguns desafios familiares e um certo olhar desconfiado da sociedade.

 

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MULHER E HOMEM

Nas relações entre uma mulher e um homem, os quatro aspetos que possibilitam que a mulher se sinta muito feliz com o seu companheiro são: que ele «participe de forma ativa nas tarefas domésticas», que ele «a oiça», que ele «lhe dedique o máximo de tempo possível» e que ele seja «carinhoso e atencioso». No extremo oposto, os três aspetos que têm mais capacidade para gerar mulheres infelizes no que respeita à relação com o companheiro são: «infidelidade», «falta de generosidade» e «relações sexuais pouco satisfatórias».

Estudo “As mulheres em Portugal, hoje”

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Luís Pedro Nunes

Peço perdão

Os humanos caminham para a extinção por falta de foda. O outro assusta. O outro tem de usar máscara. O sopro que o outro expele pode matar-me. Como é que vamos sobreviver sem lamber, sugar, mordiscar, dormir colados no suor e sucos orgânicos variados, suspender misteriosamente a noção de nojo e abocanhar esfomeados, afocinhar sem olhar, cuspir e regurgitar e rechuchar e mais não sei o quê que não me lembro se temos medo do ar, sim do ar, que sai da boca a metro e meio? Difícil.

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Nos tempos romanos, o nariz era tido como um símbolo dos genitais. Para os homens, um nariz grande era sinal de um pénis igualmente amplo, uma correlação ainda sustentada por alguns, hoje em dia. Os romanos afirmavam que a forma fálica do nariz, associada ao aspeto escrotal do queixo fendido de um homem, não era mera coincidência. Na Idade Média e durante várias centenas de séculos depois, era comum descrever-se a forma do nariz como a representação do tamanho do pénis. Tais crenças permaneceram vivas até ao século XVII, apesar dos esforços de anatomistas para as desmentir através de dissecações de cadáveres, que lhes permitia afirmar que não existia qualquer correspondência de tamanho entre nariz e genitais.

Há muitas famílias que fazem piadas foleiras homofóbicas e depois os filhos que gostam de pessoas do mesmo sexo, não têm espaço para poder trazer os seus namorados ou os seus amores porque acham que vão ser humilhados, e não querem pôr os seus parceiros nessa posição. Isto é duríssimo.

Marta Crawford

ENTREVISTA

Diogo Faro

É fundamental que percebamos que uma quantidade absurda do que é a sexualidade e o género são construções culturais. Alguém disse que as coisas eram assim, e o resto acreditou (de uma forma muito simplista). Mas a verdade é que grande parte das crenças que temos em relação à sexualidade e ao género está relacionada com estruturas de poder e a manutenção de determinada ordem social.

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crónica —— dentro de mim

Marta Crawford

O vento soprou dentro de mim

As mãos quentes começaram a aquecer-lhe o corpo e ela sentiu-se febril, os beijos dele na sua boca eram diferentes dos que já outrora tinha provado. Pareciam confundir-se com a sua própria boca, como se fosse só uma. Nunca tinha sentido uma língua dentro da sua boca para além da sua e aquela penetrava-a sem decoro.

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Estamos em 2021 e as mulheres sexualmente bem resolvidas, que sabem o que querem, ainda assustam os homens

Bernardo Mendonça

46%

do tempo que as mulheres estão em casa acordadas, é dedicado ao filho/s com 5 anos ou menos, 35% às tarefas domésticas, e 1% ao cuidado de netos ou pessoas dependentes, donde se infere que o conjunto dos trabalhos não pagos requerem 82% do tempo que elas estão em casa acordadas. Nesta situação, o tempo para si próprias fica em menos de uma hora por dia (54 minutos).

Estudo “As mulheres em Portugal, hoje”

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Luísa Ferreira Nunes

Admiráveis formas de sexo reprodutivo nos animais

Muitas espécies, para se propagarem, usam estratégias imensamente criativas, quase excêntricas, como “roubar” esperma , dar à luz sem nunca ter tido contacto com um parceiro sexual, por clonagem, ou hibridando/cruzando-se com indivíduos de espécies diferentes.

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crónica —— o lugar do outro

Bernardo Mendonça

Já derramei muitos mares por cima dessa âncora

De óculos escuros, voz sumida, Bruno falou de si, das suas escolhas, um cigarro após outro, a escorregar de vez em quando o olhar para o telemóvel para trocar mensagens. No momento do retrato, os amigos, tatuadores e surfistas que com ele cresceram, aproximaram-se para assistir e opinar: “Faz pose de G [dji, a inicial de “gangster”, soletrada em inglês]. Mas o melhor é mesmo ouvi-lo. Porque há pessoas que são puro cinema.

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Muitas vezes na cama as pessoas estão a olhar tanto para o seu próprio umbigo que se esquecem que isto é um jogo de prazer a dois e que têm que comunicar intimamente.

Marta Crawford

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Sara Vale + Andreia Nunes

Pipis à Portuguesa

Mais concretamente, gostaríamos de refletir sobre as vergonhosas taxas de episiotomia praticadas no nosso País e as dificuldades que muitas mulheres experienciam em voltar a ter relações sexuais e a sentirem-se bem com o seu corpo.

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O menu desta semana está novamente bem recheado de iguarias culturais: “O Fim do Armário”, de Bruno Bimbi; “A Mulher na sala e na cozinha”, de Laura Santos; as séries “Unorthodox”; “The One” e “Kalifat”, na Netflix. E ainda o filme “Call Me By Your Name”, sobre uma paixão proibida de verão, realizado por Luca Guadagnino. Desfrutem intensamente.

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59%

Percentagem de jovens que se sentiu desconfortável na sua família, sendo que 3 em cada 10 sentiram-se muito ou extremamente desconfortáveis a viver em casa dos pais na situação de confinamento. Aproximadamente 35% sentiu-se muito ou extremamente “sufocados/as” por não poderem expressar a sua identidade LGBTQIA+ com a sua família.

Fonte: “REDES DE APOIO SOCIAL E SAÚDE PSICOLÓGICA EM JOVENS LGBT+ DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19”

Napoleão que era considerado um dos maiores comandantes da história, era também conhecido por uma razão bastante peculiar: Dizia a Josefina que não se lavasse quando ele regressava a casa. E diz-se que Henrique III permaneceu apaixonado por Maria de Clevees durante toda a vida, depois de ter cheirado a sua roupa interior.

DOIS LADOS DO ESPELHO

A questão é delicada e complexa, divide a sociedade e uma petição para a mudança na lei já chegou quase às 60 mil assinaturas. Para a discussão deste tema convidámos a deputada do PS, Isabel Moreira e a presidente do Instituto de Apoio à Criança, Dulce Rocha, que têm visões opostas. Oiçam-nas para uma melhor reflexão sobre o tema

Na vida temos de estar dispostos a passar pela crueza da mutação, seja através do envelhecimento, da doença ou de um imprevisto acidente que desfigura a noção de corpo ideal e utópico. Esta metamorfose é constante. Neste curto vídeo, do espetáculo de dança “Dueto”, com os intérpretes Diana Niepce e Hugo Cabral Mendes, o corpo expõe-se nessa crueza de existir a partir do nada. Pelas palavras dos criadores: “A dança que emerge da deformação íntima do estado do corpo observado. Nunca seremos mais do que o que somos nus.”

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