Como sobreviver a uma separação? O fim é sempre um falhanço para os dois? —— O amor acontece com a mesma naturalidade com que esmorece e acaba. Nem todos os romances e casamentos duram para sempre e, por vezes, provocam um longo e penoso luto nas pessoas desamadas. De acordo com dados do INE, no ano passado houve 3.862 desuniões. E, entre julho e setembro de 2020, foram mais 235 divórcios do que no ano anterior. Reflexos da pandemia? Pela experiência da psicoterapeuta e sexóloga Marta Crawford há sempre um dos elementos do casal que manifesta maior vontade em acabar com a relação, “mas ambos podem sentir o fim da relação como um falhanço”. E como seguir em frente? Como ultrapassar a dor, criar novos hábitos e arrumar as memórias no lugar certo? “Quando um casal se separa, até podem ser amigos no futuro, mas há uma fase em que não podem ser os melhores confidentes, nem os melhores amigos um do outro, porque devem primeiro fazer o luto da relação”. Neste episódio a conversa entre o jornalista Bernardo Mendonça e Marta Crawford parte do fim. Para novos inícios

Quando se começa uma relação com ciúme, falta de confiança e a sentir o passado da pessoa amada como uma ameaça, há muito para trabalhar para que a relação não ceda às inseguranças e fragilidades. É sobre isto que fala a Mag Rodrigues, enfermeira e fotógrafa, de 29 anos, homossexual, que aqui partilha as várias fases por que passou a sua relação atual. Que Mag define como uma “relação tórrida”. O segundo testemunho é da Alexandra Marques Mira, uma consultora, de 50 anos que aqui conta uma relação passada turbulenta e tóxica por que passou e o longo caminho pessoal que fez até encontrar um amor maior, o parceiro por quem esperou a vida inteira: Que é amigo, companheiro, amante, confidente. Ou, como Alexandra gosta de dizer usando a gíria do golfe, é um ‘all in one’.

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40 x 32

Os casamentos aos vinte anos há muito que não são a regra em Portugal. A idade média dos homens e das mulheres no seu primeiro casamento, era de 40 anos e 32 anos em 2019. Nesse mesmo ano, a idade média delas nos divórcios era de 45 anos e deles era de 48 anos.

Prevalence and Sociodemographic Predictors of Sexual Problems in Portugal: A Population-Based Study With Women Aged 18 to 79 Years

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Afonso Cruz

Obscenidade e erotismo

Não pretendo com isto desvalorizar a obscenidade ou diminuir-lhe a importância — porque a tem —, mas creio que a sua relação com o consumo imediato, instantâneo, com a voragem que nos faz emborcar a vida sem a mastigar, impede a sua preciosa e necessária fruição. Falta-nos muitas vezes o lânguido hedonismo do prazer lento e do vagar arrastado do erotismo em que a consumação prometida, a existir, é adiada, levando o seu tempo e vagar.

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16 195

Este é o número de casamentos celebrados até ao final de setembro de 2020. O que significa menos 58,6% face ao mesmo período no ano anterior. Uma queda significativa a dar a perceber o impacto da pandemia nas uniões matrimoniais. Quanto às separações, entre julho e setembro de 2020, houve mais 235 divórcios do que em 2019 e, no total, foram contabilizadas 3.862 desuniões. Por outro lado, no primeiro e segundo trimestre de 2020 os divórcios diminuíram em relação ao ano anterior. O que facilmente se explica com as regras restritivas do confinamento.

Fonte: Ministério da Justiça

ENTREVISTA

Ivo Canelas

Eu tinha uma namorada que sobre [as suas] fantasias fazia uma espécie de ‘disclamer’: “Olha isto é uma fantasia. Não está a acontecer na realidade.” E esse ‘disclamer’ era uma forma que ela tinha de poder entregar-se à fantasia sem o medo de pensar que a fantasia era ela. Mas o que é interessante é que a fantasia… também é ela.

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crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Marta Chaves

Todo o tempo é eternamente presente

Nem a paixão nem o amor trazem garantias. Esse é o mistério que vale a pena viver. Saltar imediatamente da paixão para o amor, que é o que no fundo está em questão, é uma acrobacia que pode parecer espectacular, mas não passará do ensaio de um movimento precário.

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Poesia —— Al Berto

corpo / que te seja leve o peso das estrelas / e de tua boca irrompa a inocência nua / dum lírio cujo caule se estende e / ramifica para lá dos alicerces da casa

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Há várias formas de amar. O amor deveria ser uma coisa que faz enaltecer o melhor de ti, do outro/outra, que faz com que as pessoas gostem de estar umas com as outras, que tenham capacidade de conversar sobre vários assuntos, que façam uma boa equipa, que tenham uma experiência sexual prazerosa e equilibrada. O amor inclui todas essas coisas.

Marta Crawford

crónica —— dentro de mim

Marta Crawford

Brava

Quando não se compreende o corpo e se tem pouca informação sobre sexualidade, o que predomina são enganos e crenças que cada vez vão parecendo mais reais.
Luana era uma mulher inteligente, lutadora e meiga, mas não sabia nada sobre os prazeres da cama, da possibilidade de os sentir, da alegria de os viver.

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No Kamasutra, Vatsyayana 
classificava os homens e as mulheres e os diferentes tipos de união, conforme as dimensões dos seus órgãos genitais, a intensidade dos desejos e a duração do coito. Consoante o tamanho do pénis o homem classificava-se em: homem lebre, touro ou cavalo. A mulher, por sua vez, era uma gazela, uma égua ou uma elefanta. As uniões seriam por sua vez iguais ou desiguais consoante a combinação das dimensões dos pares: as uniões iguais seriam lebre-gazela, touro-égua, cavalo-elefanta; e as desiguais seriam: lebre-égua, lebre-elefanta, touro-gazela, touro-elefanta, cavalo-égua, cavalo -gazela. 

33 272

Número total de casamentos celebrados em 2019, dos quais 32 595 pertencem a pessoas de sexos opostos. E foram 358 as uniões entre homens e 319 entre mulheres.

Fonte: INE

Numa discussão de um casal, não devia haver a ideia de que um ganha e o outro perde. Se me queres fazer sentir na lama, isso não é uma atitude de alguém que me ama.

Marta Crawford

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Ana Aresta

À pornografia me confesso

Só que enquanto o estímulo visual sabia bem no seu sentido mais simples, a verdade é que eu não me revia naquele tipo de sexo: desigual, violento, machista e normativo da realização “cinematográfica” às práticas interpretativas, sem conversas, sem risos, extremamente duro nas posições e maquinal nos gestos.

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No homem a visão tem um impacto extremamente importante na atração sexual, bastante mais acentuado do que nas mulheres. As mulheres, regra geral, necessitam para se excitar sexualmente, mais do que de uma bela “visão”, um comportamento gentil e carinhoso por parte do/a parceiro/a.

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Mitó Mendes

Um palco

Ambos se detiveram na busca da verdade na representação. Lyotard refere mesmo que actuar não pode acontecer sem sofrimento. Um sofrimento que não se ganha ali. Chama-se. Chama-se do interior do intérprete. Prepara-se o corpo e a mente de modo a que, durante o espetáculo se alcance essa “energia”, a energia certa que permita a ocorrência de uma série de pulsões, ativadas por tensões.

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Admiro muito os ex-casais que no futuro se passam a dar muito bem, que se tornam amigos, que ultrapassaram a dor e constroem outra relação a partir daí. Faço vénias a essas pessoas.

Bernardo Mendonça

Desta vez servimos um menu bem combinado entre amor e sexo: “O Amor é fodido”, de Miguel Esteves Cardoso; e “Como Pensar Mais Sobre Sexo”, de Alain de Botton; os filmes “Marriage Story”, de Noah Baumbach, e “Disponível Para Amar”, de Wong Kar-Wai; e ainda a série “Até Que a Vida nos Separe”, de João Tordo, Tiago R. Santos e Hugo Gonçalves. Bom apetite!

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O tema “Mulher Do Fim do Mundo” é da brasileira Elza Soares, lançado em 2015, e aqui é cantado na versão dos Fado Bicha com a batida da Cigarra. Quando há muitos anos, ainda Elza era muito jovem e pobre, um jornalista lhe perguntou de onde ela era, Elza respondeu: “Sou do planeta fome!”. Este videoclipe arranca com um excerto de um texto retirado do livro “Deus-dará”, de 2016, da autoria de Alexandra Lucas Coelho, que fala das tantas torturas a que eram sujeitos os escravos negros no tempo do colonialismo no Brasil.

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