Porque é que as pessoas traem? O que significa infidelidade para cada um de nós? —— É um dos grandes tabus da maior parte das relações amorosas. E é desde sempre praticada por homens e mulheres de todo o mundo e todas as orientações sexuais. A infidelidade pressupõe mentira, engano, falta de diálogo, humilhação, dor e pode fazer estilhaçar irreparavelmente o amor entre um casal. Mas a definição do que é a traição varia da forma de pensar e sentir de cada um. Conversar de forma sedutora com outra pessoa é trair? Ver filmes pornográficos ou sonhar sexualmente com outra pessoa é ser infiel? Trocar mensagens de teor erótico é enganar? Envolvermo-nos intimamente com um terceiro elemento, mas sem envolvimento emocional, é possível dentro de uma relação monogâmica? Quem define os limites e as fronteiras são os elementos de cada casal. Mas porque é que as pessoas traem? Quando se rompe o trato é possível recuperar a confiança? Este é o mote do segundo episódio do podcast “Muito Mais Do Que Sexo”. Uma conversa entre a psicoterapeuta e sexóloga Marta Crawford e o jornalista Bernardo Mendonça

Quando há infidelidade, há dor, desilusão e uma provável baixa autoestima da pessoa traída. É o que nos relata a ecóloga Luísa Nunes que no passado passou por alguns episódios de desamor e traição que a afastaram de si própria. “O que me faz deixar de gostar de alguém é a deslealdade, a desonestidade. Com isso não consigo viver. E pior, magoa-me tão profundamente que é isso que me faz sentir por algum tempo que posso não ter valor nenhum.” Por outro lado, o escritor Tiago Salazar, de 49 anos, assume ter traído alguns dos seus antigos amores, mas descobriu na relação com a atual parceira a abertura para viver a sexualidade de acordo com as suas necessidades e desejos. “Depois de várias experiências em que a infidelidade acabou por ditar o fim das relações, estou muito melhor sendo monogâmico. O meu pai acha que com quanto mais pessoas praticarmos [sexo] melhores somos, mais habilidosos nos tornamos no sexo. O que eu acho é que isso é um bocado um tiro na água.”

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350.000

Número atual de utilizadores portugueses no Second Love, site de encontros para pessoas casadas que querem envolver-se sexualmente com outros elementos também casados, sem que os respetivos cônjuges saibam. 75% são homens, 25% são mulheres. A maioria tem entre os 35 e os 55 anos, está casada há mais de 10 anos e tem filhos.

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Catarina Molder

Traição para todos

Os seres humanos, são seres de apetites insaciáveis e de desejos múltiplos e contraditórios, dotados de uma sexualidade com uma “criatividade” sem limites que mexe com tudo e gera as situações mais (im)possíveis. Quando mais complexo melhor.

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19%

Percentagem de pessoas que afirmou manter um acordo relacional “não monogâmico” e 8% disse partilhar “um relacionamento afetivo-sexual com mais de uma pessoa”. Os dados são de um estudo recente realizado pelo ISPA que envolveu 1725 voluntários, entre os 18 e os 73 anos, de várias orientações sexuais, e que estavam num compromisso.

Joana Gama

Quando falo sobre sexo, não o faço propositadamente para ter piada. Falo sobre sexo porque é um assunto que tem uma presença constante na minha cabeça e porque o vejo, como qualquer outro assunto, passível de ser falado para fazer humor.

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crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

André Tecedeiro

Os ouvidos de Tristão e Isolda

Em situações mais complexas estarão aqueles que ficaram afastados à força dos seus parceiros. São os Tristões e as Isoldas do séc XXI: amantes separados pela lâmina do confinamento e do distanciamento social obrigatório. Como fazem para manter a chama acesa? De que magias se socorrem quando lhes falta o toque, o cheiro e a temperatura da pele?

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Com o desmembramento do império de Carlos Magno em 843 e o nascimento de três estados novos (Francês, Alemão e Italiano) as cozinhas destes três países, começam a diferenciar-se de acordo com as tradições regionais. Foi neste período que a sopa se tornou relevante na gastronomia nacional francesa. E de todas as sopas consideradas erotizantes, a que se impôs na fronteira do País Basco com a França foi aquela que possuía Angélica (planta herbácea de propriedades diuréticas e antiespasmódicas) com aroma a cânfora, à qual se atribuía surpreendentes efeitos afrodisíacos.

Uma pessoa que trai outra, acima de tudo, também se está a trair a si própria

Marta Crawford

crónica —— o lugar do outro

Bernardo Mendonça

E é amarta-ssim perdidamente

E porque uma vida não cabe numa só crónica e uma crónica não chega a contar tudo sobre os quase nada do quotidiano que, por vezes, são tanto, retomo uma das histórias do meu último escrito nesta morada.

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Conhece a declaração dos direitos sexuais de todos e todas?

O direito à igualdade e à não discriminação. O direito de estar isento/a de todas as formas de violência ou coerção. O direito à privacidade. O direito ao mais alto padrão de saúde atingível, inclusive de saúde sexual; com a possibilidade de experiências sexuais prazerosas, satisfatórias e seguras. E muitos mais.

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56%

Percentagem de inquiridos que consideraram que o desejo de ter uma aventura aumentaria num hipotético novo confinamento. Os dados são do site de encontros SecondLove.pt num inquérito feito em dezembro de 2020, e que envolveu 600 participantes.

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Nelson Nunes

Por vezes, ter um amante melhora a relação. Discute-se menos, a pessoa passa a ser mais simpática, porque se sente culpada, é mais amistosa. As coisas, às vezes, melhoram. Mas não é receita.

Marta Crawford

crónica —— QUARTO DOS HÓSPEDES

Catarina Mexia

Apimentar o Tédio

Flirtar ou iniciar uma relação pode ser tão simplesmente uma forma de fugir à sensação alarmante de que a nossa identidade parece estar a dissolver-se no casal.

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A língua é a base de todo o paladar e a boca é uma das partes mais sensível e mais versátil do humano. Um beijo combina os três sentidos do tato, paladar e olfato. Além disso, favorece o aparelho circulatório, aumenta de 70 para 150 os batimentos do coração e beneficia a oxigenação do sangue. Sem esquecer que o beijo estimula a liberação de hormonas que causam bem-estar.

“Eliete”, de Dulce Maria Cardoso, revela como uma certa normalidade anestesia a vida e como a mudança pode estar no Tinder e no Facebook* O livro “(In)fidelidade”, de Esther Perel, repensa o amor e as relações * A série “The Affair” mostra as várias matizes da traição e de como a verdade depende do olhar de cada um * A série “Felizes, mas não para sempre” fala da experiência da traição, das consequências e da superação

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