Obscenidade e erotismo

Não pretendo com isto desvalorizar a obscenidade ou diminuir-lhe a importância — porque a tem —, mas creio que a sua relação com o consumo imediato, instantâneo, com a voragem que nos faz emborcar a vida sem a mastigar, impede a sua preciosa e necessária fruição. Falta-nos muitas vezes o lânguido hedonismo do prazer lento e do vagar arrastado do erotismo em que a consumação prometida, a existir, é adiada, levando o seu tempo e vagar.