Poemas escritos e ditos pelo o ator e encenador Filipe Crawford





Poema de amor
 

Tu? Poder dizer tu… 
Teu corpo! Poder ser meu… 
Teus olhos! Olharem para mim… 
A felicidade de ser teu. 


O amor! Em vagas solenes.…
O amor! Em ondas suaves…
A raiva? De não dizer nada…
O ódio? À falta de coragem… 


Por ti? Faço voos inúteis… 
Por ti? Inibo a minha prosa… 
Por ti? Arrisco-me a chorar… 
Sem ter… Armas para me 
Defender de vergonha. 
Se… Alguma vez conseguiste.
Se… Sentiste que era eu. 
Se… Amaste e calaste o que ouviste. 
De hoje… e de sempre sou teu!


O amor… Ri-se de mim! 
O amor… Fala por ti… 
O amor… Chega devagar 
Sem avisar…




Paula 


Teu corpo esguio
Hei-de possuir.
Tua boca larga 
Hei de violar. 
Teu peito 
Tua voz rouca fará ouvir 
Quando te penetrar 
E o teu seio, cheio
Há-de se agitar 
Ao sentires
Nas nalgas frias
O volume e o peso
Que te há-de vergar. 


Como amiga 
Como companheira
Com mulher 
Te vou experimentar. 



A prova final
Afinal 
É essa! 



E só nós é que sabemos
O que nos faz vibrar.


Vibra, vibra, vibra. 
Ao som ritmado de música jazz.
Vibra, vibra, vibra 
Mesmo que seja indiscrição
Foder, na primeira ocasião 
Que se proporcionar.







Filipe Crawford — Nasce em 1957 em Lisboa. Estreia-se como actor em 1976 no Teatro da Comuna, com Richard Demarcy. Em 1982, termina o Curso de Encenadores do Conservatório Nacional – E.S.T.C. e estreia-se a encenar, com “A Lição” de E. Ionesco. Um ano depois parte para França, como bolseiro do governo francês e da Fundação Calouste Gulbenkian. Frequenta a Escola Superior de Teatro de Estrasburgo e o Conservatório de Paris, onde é aluno de Mario Gonzalez. Frequenta também o Instituto de Estudos Teatrais da Sorbone Nouvelle, onde apresenta uma maîtrise de Estudos Teatrais sobre a Máscara na formação do actor. Regressa a Portugal em 1987, cria o curso de Técnica da Máscara que começa por ministrar no Serviço de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian. Dois anos depois, funda a companhia Meia Preta com ex-alunos dos seus cursos de Técnica da Máscara, onde encena e interpreta uma dezena de espectáculos, com destaque para Cenas da Commedia dell´Arte ou as peças de Dario Fo, História do Tigre (Prémio Garrett de interpretação) e O Primeiro Milagre do Menino Jesus. Em 1995, nasce a empresa Filipe Crawford – Produções Teatrais que passa a gerir o património artístico da Meia Preta. Nesse ano, encena e interpreta Os Monstros Sagrados com Rui Paulo no Teatro da Comuna. Em 1997 é criada a Escola da Máscara, projecto de formação continuada, destinado aos actores que frequentam os Cursos de Técnica da Máscara. Em 2000 recupera e abre o Teatro Casa da Comédia que dirige até 2012. Em 2002 cria o Festival Internacional de Máscaras e Comediantes, que dirige desde então, tendo realizado a sua IX edição em 2012. É membro fundador e sócio da Cena Lusófona, da S.A.T. (Associação Internacional de Commedia dell’Arte) e da Union Européenne du Nouveau Théâtre Populaire (Associação de Festivais Internacionais Europeus). Foi professor assistente da Licenciatura de Teatro e Artes Performativas da UTAD, entre 2009 e 2016 e leciona atualmente na Nicolau Breyner Academia e na Inimpetus em Lisboa. Tem participado como ator em séries e novelas nacionais e também no cinema Português e Francês. No teatro tem participado em produções da Yellow Star, como o “Allo Allo”, “A Noite” de Saramago e em cena com a peça “A ratoeira”. Recentemente encenou e interpretou a “A última noite do Capitão”, de Felipe Cabezas e encenou a “A ópera do Malanndro” de Chico Buarque e “Não se brinca com o amor” de Alfred Musset.

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