Poema escolhido e lido pelo arquiteto Gustavo Seia



Inédito


Nunca te foram ao cu
Nem nas perninhas, aposto!
Mas um homem como tu,
Lavadinho, todo nú, gosto!


Sem ter pentelho nenhum
com certeza, não desgosto,
Até gosto!
Mas… gosto mais de fedelhos.


Vou-lhes ao cu
Dou-lhes conselhos,
Enfim… gosto!




António Tomás Botto foi um poeta português. Nasceu a 17 Agosto de 1897, em Abrantes, Portugal.  A sua obra mais conhecida, e também a mais polémica, é o livro de poesia “Canções” que, pelo seu carácter abertamente homossexual, causou grande agitação nos meios religiosamente conservadores da época. Botto foi amigo pessoal de Fernando Pessoa, que se encarregou de traduzir em 1930 as suas Canções para o inglês, e com quem colaborou numa Antologia de Poemas Portugueses Modernos. A sua obra reflete a sua orientação sexual e pode ser considerada como distintiva da poesia homo-erótica de língua portuguesa. Morreu atropelado em 1959 no Brasil (Rio de Janeiro), para onde se tinha exilado para fugir às perseguições homofóbicas de que foi vítima.

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