LIVROS

ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA ERÓTICA E SATÍRICA
——  NATÁLIA CORREIA

Passaram mais de 50 anos da edição da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, uma selecção de poemas livres e eróticos de vários autores que rebentou na sociedade como um enorme escândalo literário, apreendido e matéria de julgamento em Tribunal Plenário, pela obra alegadamente ofender o “pudor geral”, a “decência”, a “moralidade pública” e os “bons costumes”.


Verdadeiro serviço público e poético que Natália Correia prestou à liberdade. 33 anos depois da primeira edição, publicada pela editora Afrodite, de Fernando Ribeiro de Mello, de imediato apreendida pela PIDE, tendo a sua organizadora, o editor, e muitos dos poetas vivos antologiados ido a julgamento e sido condenados, ficou disponível ao público esta “Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica”, numa edição conjunta das editoras Antígona e Frenesí. Sem teias nem peias, desde os poetas medievais, ao Abade de Jazente, Filinto Elísio, Tolentino, Camões, Antero, Gomes Leal, Cesário, Nobre, Pessoa, Sá-Carneiro, Sena, Eugénio de Andrade, Cesariny, Herberto Helder. Como escrevia David Mourão Ferreira: “Não ter medo das palavras e não recear as realidades que elas exprimem, é, sobretudo, evitar o trânsito pelo consultório do psiquiatra. Os maiores dos nossos poetas conheceram, desde sempre, essa forma terapêutica.”

Título: Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica
Autor:   Natália Correia
Editora: Antígona
Edição:  1959
Preço:  14,80€



INFINITO PESSOAL
—— DAVID MOURÃO FERREIRA

Em “Infinito pessoal, ou, a arte de amar”, encontramos uma encantadora coleção de poesia, onde estão os mais belos poemas sensoriais e eróticos, que nos libertam e nos embalam na magia da “Arte de Amar”. Deixamos o exemplo, lido e escolhido pelo ator Miguel Guilherme no direto “Ménage à Trois”, do poema “Ternura” para aguçar a vossa curiosidade: 

“Desvio dos teus ombros o lençol

que é feito de ternura amarrotada,

da frescura que vem depois do Sol,

quando depois do Sol não vem mais nada

Olho a roupa no chão que tempestade!

há restos de ternura pelo meio,

como vultos perdidos na cidade

em que uma tempestade sobreveio…

Começas a vestir-te, lentamente,

e é ternura também que vou vestindo,

para enfrentar lá fora aquela gente

que da nossa ternura anda sorrindo

Mas ninguém sonha a pressa com que nós

a despimos assim que estamos sós!”

Título:  Infinito pessoal, ou, a arte de amar
Autor:  David Mourão Ferreira
Editora: Guimarães Editores
Edição: 1963



HÍFEN
——  PATRÍCIA PORTELA

Uma vez mais, a escritora Patrícia Portela não desilude. Pelas suas mãos recebemos “Hífen”, uma história sobre amor: amor de mãe para com uma filha, amor de uma mulher para com o marido, amor à vida e a escolha da mesma, quando tudo parece desabar. Uma obra que promete ser intensa e profunda, que chegará até todos a partir de maio. Fiquem atentos.

Título:  Hífen
Autor: Patrícia Portela
Editora: Editorial Caminho
Edição:  maio de 2021
Preço:  13,52€




FILMES



O ÚLTIMO TANGO EM PARIS

Bernardo Bertolucci, trouxe-nos, em 1972, o “Último Tango em Paris” – um filme que agitou o país nos anos 70 e criou filas quilométricas à porta do Cinema São Jorge, em Lisboa. Aqui fala-se de um viúvo americano, em Paris, que conhece por acaso uma bela e sensual jovem. A tensão erótica vivida entre ambos fala mais alto e rapidamente envolvem-se sexualmente, de uma forma anónima e inconsequente. Um filme realmente intenso, que nos faz arder por dentro. 

Título:  O Último Tango em Paris
Realizado por:  Bernardo Bertolucci
Estreia: 1972 (estreou em Portugal em 1974)




OS SONHADORES

O erotismo nos filmes de Bertolucci nunca desilude. Nesta obra, a língua sexual é  a mesma e é partilhada por três pessoas – um casal de gémeos, Isabelle e Theo, e um outro jovem, Matthew. O desejo e o prazer ecoam entre os três, nas suas mentes e corpos livres. Aqui, a chama é intensa e o “sexo é poesia” (como diria Rita Lee). Um filme carnal onde a libido transborda e a ‘ménage à trois’ acontece plenamente. 

Título: Os Sonhadores/The Dreamers
Realizado por: Bernardo Bertolucci
Estreia: 2003 (estreou em Portugal em 2004)




PATO COM LARANJA

A estreia deste filme em Portugal, dois anos depois da revolução, foi uma grande escandaleira, por se ver de passagem as nádegas desnudas de uma mulher. “Pato com Laranja” é uma comédia erótica italiana que conta a seguinte história: Livo e Lisa são um casal com a relação às voltas… e que voltas… extraconjugais. Numa destas andanças desassombradas, Lisa apaixona-se por Jean-Claude, com quem pretende ir viver. Porém, antes que seja tarde demais, Livo pretende recuperar a sua mulher seduzindo-a com os seus atos um tanto ou quanto inesperados. A solução para que o casamento não acabe em divórcio? Passarem um fim-de-semana os três. O desenrolar disto? Pois, vão mesmo ter de ver.

Título: Pato com Laranja/L’anatra all’arancia
Realizado por: Luciano Salce
Estreia: 1975 (estreou em Portugal em 1976)




A PISCINA

Este filme de 1969 tem tanto de belo quanto de erótico. O título apresenta-nos o local onde quase toda a ação se passa – uma piscina, no sul de França, perto de Côte d’Azur. Neste drama, a provocação é uma constante e o ciúme também. A tensão sexual e os encontros e desencontros marcam o compasso desta narrativa. O desejo faz-se transparecer nos beijos e nos corpos. Não há nada mais belo do que a sexualidade. “A Piscina” é digno de todos os elogios que lhe possamos dar. 

Título: A Piscina
Realizado por: Jacques Deray
Estreia: 1969




O IMPÉRIO DOS SENTIDOS

Neste filme japonês, descobrimos o caso obsessivo de uma ex-prostituta com um senhorio do local, onde trabalha como empregada. A ousada paixão entre ambos só poderia ser inspirado numa história verídica, como é o caso. A fome sexual e a subtileza co-existem nesta obra de uma forma inigualável. Os papéis são excepcionalmente interpretados e a imagem é sublima. Se a vossa libido não estiver no auge, depois deste filme ficará. 

Título: O Império dos Sentidos
Realizado por: Nagisa Ōshima
Estreia: 1976




LADY CHATTERLEY

“Lady Chatterley” ou Constance é uma bela jovem, casada com um homem bastante mais velho e que se encontra preso a uma cadeira de rodas. A sua vida parece não querer avançar e a única solução talvez seja… Parkin. Quem é Parkin? Um empregado com quem se envolve sexualmente e se (re)descobre abertamente. Neste filme francês, o lado sensorial e erótico é representado de uma magnífica forma e a intensidade das cenas fazem-se ecoar. A não perder.

Título: Lady Chatterley
Realizado por: Pascale Ferran
Estreia: 2006 (uma adaptação do filme Lady Chatterley’s Lover, de 1928)




CRASH – ESTRANHOS PRAZERES

“Crash”, um filme que talvez não seja para todos. Mas a história e as interpretações são brilhantes. E há erotismo a rodos. Neste enredo os acidentes de carro desencadeiam tesão e desejo nas personagens. São realmente “Estranhos Prazeres” a que não vai resistir. Ah, e tem a fabulosa atriz Patricia Arquette em excelente forma.

Título: Crash – Estranhos Prazeres
Realizado por: David Cronenberg
Estreia: 1996




O LIVRO DE CABECEIRA – THE PILLOW BOOK

Caracteres japoneses e corpos desnudos – em que é que se relacionam? Neste caso, numa original e fascinante sexualidade. O filme é baseado nas ”Notas de Cabeceira” da escritora medieval japonesa Sei Shōnagon. Orfã de mãe, Nagiko (Vivian Wu) cresceu numa tradicional família japonesa, criada pelo pai (Ken Ogata) com o auxílio da tia (Hideko Yoshida). A cada aniversário da jovem, o seu pai escreve bençãos no seu rosto e nuca enquanto a tia lê um antigo manuscrito. Com o passar do tempo, o ritual marcará momentos importantes, e bastante eróticos, na vida da protagonista. 

Título: O Livro de Cabeceira -The Pillow Book
Realizado por: Peter Greenaway
Estreia: 1996




TEATRO



COMÉDIA DOS BASTIDORES

Esta Comédia de Bastidores é uma peça em três atos do dramaturgo britânico Alan Ayckbourn, centrada na mudança de sorte de três casais. A ação decorre numa celebração do Natal e cada ato acontece na casa de um casal diferente num ano sucessivo. Em cena explora-se o tema do materialismo, o que realmente significa ser rico e as lutas da classe média.

Título: Comédia dos Bastidores
Autor: Alan Ayckbourn
Encenado por: Nuno Carinhas e João Cardoso
Estreia: De 21 de abril a 9 de maio no Teatro São Luiz, em Lisboa
Intérpretes: Benedita Pereira, Catarina Gomes, Paulo Freixinho, Pedro Frias, Pedro Galiza, Sara Carinhas 


João Vasco —— ilustração

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